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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Um Natal de luz, paz e sem crueldade animal!

   Queridos!!! Estava pensando no que postar aqui no blog, e decidi postar sobre a ceia de Natal. 
   Muitos acham que Natal sem peru, ou sem qualquer outro animal morto, não é Natal, que fica sem graça etc.
   Bom, pensando nisso, o Grupo Ula preparou um guia com receitas ótimas de Natal, e sem origem animal!!!
   Dê uma chance aos animais e a você!!! Conheça e faça uma ceia de Natal vegana e abra-se para essa nova experiência!!!
   Para ajudar, vou postar alguns links por aqui!!! 
   Aguardo notícias da repercussão da ceia de Natal vegana!!!
   Bjos!!!!
 

Mais receitas:
http://universoalimentos.blogspot.com/2011/11/arroz-agridoce-com-amendoas.html
http://universoalimentos.blogspot.com/2011/11/cuscuz-marroquino-de-natal.html
http://universoalimentos.blogspot.com/2011/11/arroz-de-natal.html
http://universoalimentos.blogspot.com/2011/11/panetone-vegano.html
http://universoalimentos.blogspot.com/2011/11/risoto-de-natal.html
http://universoalimentos.blogspot.com/2011/11/falso-lombo-ao-molho-de-amendoim.html
http://universoalimentos.blogspot.com/2011/11/salada-de-tamaras.html
http://universoalimentos.blogspot.com/2011/11/especial-de-natal-ceia-vegana-completa.html
http://receitaseticas2.blogspot.com/2011/11/arvore-de-natal-com-trufas.html
http://universoalimentos.blogspot.com/2010/12/bolo-de-natal.html
http://universoalimentos.blogspot.com/2010/12/ceia-de-tofu.html
http://universoalimentos.blogspot.com/2010/10/assado-de-nozes.html

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

DIDA - Dia Internacional dos Animais

   Dia 10 de dezembro é o Dia Internacional dos Direitos Animais (DIDA), criado pela ONG inglesa Uncaged em 1998. A data é uma alusão à ratificação, na ONU, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, e visa chamar atenção para a necessidade de inclusão de todos os animais como sujeitos morais, de direitos, capazes de sentir e sofrer. Esta posição é defendida com base na teoria dos Direitos Animais. No Brasil, o DIDA começou a ser celebrado em 2006.

    O Ula irá celebrar o DIDA com uma ação educativa no Calçadão de Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro (RJ) dia 10 às 15h. Será realizado, com a colaboração de ativistas independentes e de outros grupos, uma exposição viva com banners abordando diversas questões dos Direitos Animais, encenação e panfletagem, levando informação, despertando a curiosidade e a reflexão na população, e motivando mudanças em prol dos animais.

   A panfletagem contará também com a distribuição de receitas natalinas veganas, fazendo parte da campanha "Natal com mais Vida", criada em 2008, que convida as pessoas a terem um natal com mais paz e compaixão.

    Se você quiser acrescentar e se juntar a nós, entre em contato: contato@uniaolibertariaanimal.com
 

sábado, 26 de novembro de 2011

Bem-estarismo dá nisso!

   Primeiramente eu queria pedir desculpas pela demora, mas o Blogger não estava me deixando fazer postagens, por isso o blog ficou meio parado.

   Finalmente consegui voltar à ativa, e estou aqui com mais uma postagem! Essa matéria foi publicada no Cantinho Vegetariano e eu achei muito importante compartilhar. Leiam com muita atenção! 

    Bjinhos!!



foie grasPatê de fois gras ético? Estou até agora pensando qual seria o princípio ético capaz de justificar que os humanos forcem animais de outras espécies a nascerem, a comerem alimentos não apropriados à saúde de seu fígado, para depois os matarem “eticamente”, usando recursos tecnológicos dos quais nenhum animal de outra espécie pode escapar, se é que algum da nossa espécie o conseguiria. Pelo feito aos judeus sob o regime nazista, parece que a possibilidade de chegar à liberdade saindo de uma câmara de gás é realmente ínfima. Imagine essa possibilidade para os patos e gansos criados no regime de engorda e degeneração do fígado para a produção do patê. Eles matam o animal depois de gerar em seu fígado a esteatose, inevitável em consequência da alimentação que os obrigam a ingerir.

E chamam isso de patê de fois gras ético? Se isso for ético, então o nazismo também o pode ser, pois também mataram judeus com gás, em vez de seguir executando-os a tiros, à beira de uma vala cavada previamente por eles.

É nisso que dá, defender tratamento bem-estarista para os animais, e ao mesmo tempo fingir que assassiná-los não tem nenhuma implicação ética. Só uma moral esquizofrênica pode lidar com tais práticas com naturalidade. E só uma moral esquizofrênica pode separar as duas questões, a da vida e a da morte, como se uma não tivesse qualquer ligação com a outra. Só uma moral esquizofrênica pode admitir que comer um animal morto a gás é moralmente justificável, enquanto comer um animal morto a tiro, ou degolado, não o é.

Da perspectiva do animal que foi morto a gás, a vida dele importava tanto para ele, quanto importa a vida para o animal morto a tiros, ou por degola. Da perspectiva do animal morto a tiro dentro de um abatedouro, a vida dele importa tanto para ele, quanto importa a vida, para um animal morto a tiro numa floresta.

Defensores do “bem-estar animal” se animam quando Brigitte Bardot faz campanha contra o extermínio de animais abandonados na rua em país do leste europeu. Revoltam-se quando alguém os lembra que essa senhora não faz campanha para abolir a produção de fois gras em seu próprio país. Nas mesmas páginas da ANDA onde comentários são publicados sobre a técnica de abate de cães em restaurantes na China, para consumo de carne fresca por parte dos comedores humanos, há xingamentos a todo o povo chinês, gente pedindo que sejam mortos como matam aqueles cães, gente pedindo que um vírus ataque toda a população da China e a dizime. Mas, esses mesmo internautas apegados a cães e gatos, nunca se pronunciaram sobre o fato de que porcos são colocados ainda vivos nas caldeiras com água fervente, e têm essa experiência, a da água fervendo em seus pulmões, como último gesto humano contra sua vida. Mas, daí a concluir que, então, se o animal for morto sem dor, o ato de matá-lo torna-se “ético”, é um salto acrobático que nenhuma ética genuína está preparada fisicamente para fazer.

foie grasAssim, em cada país parece que as pessoas estão muito à vontade quando abraçam a sua espécie predileta de bicho, e muito nervosas ficam quando um bicho da espécie que escolheram estimar é tratado de modo cruel em outro país. Esse especismo eletivo assola as mentes humanas ao redor do planeta, menos a mente dos veganos, que não discriminam nenhum animal por conta de sua espécie.

Para que o fígado de um ganso ou pato deforme de tal modo que se torne dilatado e mole, podendo ser transformado numa pasta macia para passar no pão e na torrada de humanos que já estão muito bem alimentados e não têm carência alguma de proteínas, nem de origem animal, nem de origem vegetal, o animal é submetido a uma dieta absolutamente fora do padrão específico que configura a dieta de sua espécie. Quando o sustento desse animal começa a pesar no bolso do produtor, ele “acelera” o processo de degeneração do fígado dos bichos, introduzindo quantidades imensas de comida por um tubo enfiado pela boca até o estômago do animal. Por natureza, o animal não comeria mais do que o suficiente para sentir-se satisfeito. Por ser fonte de lucro para os humanos, ele é forçado a comer o que não suportaria, se estivesse livre. No esforço de digerir esse alimento, o fígado vai deformando, inchando. Assim alcança o ponto desejado pelo “produtor”. O ponto desejado pelo comedor que compra o fois gras. O ponto não desejado pelo ganso ou pato cujo fígado incha. A ética, nesse momento, em que o fígado do animal foi deformado pelo manejo que visa vendê-lo, não é chamada a julgar.

Chamam de “orgânica” a nova técnica de fazer inchar o fígado dos animais. Eles têm seu organismo igualmente deformado pela dieta oferecida, rica em gordura vegetal e grãos. Eles têm sua vida igualmente ceifada. Eles foram forçados a nascer apenas porque têm um fígado sensível a alimentos inadequados. Eles acabarão do mesmo modo, mortos. Seus fígados inchados e deformados acabarão do mesmo modo triturados até formarem uma pasta (patê). Essa pasta será igualmente passada sobre torradas e pães. A vida dos gansos e patos, criados no sistema de confinamento tradicional pela indústria do patê de fois gras, e dos criados no “sistema orgânico”, têm para os humanos que os criam, para os que os matam, para os que compram o tal do patê, o mesmo valor: nenhum. Destituir a vida de um animal de qualquer valor, e depois classificar de ético o sistema de tirar a vida do animal de forma que ele não perceba os gestos que o abatem, e chamar a essas invenções de “orgânicas” e “éticas”, é chegar bem próximo do limite da decência humana.

foie grasHá quem mereça comer esse tipo de alimento. Mas, os animais não merecem ser transformados em delicatessem para atender a apetites dessa pequenez moral. Nenhum animal merece isso, não importa o tipo de iguaria cobiçada pelos humanos.

Na Alemanha, a produção do patê de fois gras foi abolida. Mas, a comercialização do patê de fois gras produzido na França, ainda não. Somado todo patê produzido no mundo, a França responde por dois terços dessa produção. Brigitte Bardot já afirmou que os árabes deterioram a finíssima cultura francesa com sua presença e valores. Mas, que eu saiba, não foram os muçulmanos quem inventaram enfiar comida garganta abaixo de um animal, para depois matá-lo e retirar seu fígado dilatado para fazer patê.

Aliás, pelos princípios religiosos muçulmanos, nenhum animal pode ser “desfigurado”. Nenhuma parte do corpo de um animal pode ser manipulada de modo a que perca o design de sua natureza específica. Quem são os bárbaros na “civilização” contemporânea?
 
Por Sônia T. Felipe

Fonte - Cantinho Vegetariano

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Campanha "Segunda sem Carne" é aprovada no Rio de Janeiro. Uma vitória!!!!


   CAMPANHA "SEGUNDA SEM CARNE" É APROVADA NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO: PROJETO DE LEI Nº 936/2011 - EMENTA:  INCLUI A “SEGUNDA SEM CARNE” NO CALENDÁRIO OFICIAL DA CIDADE CONSOLIDADO PELA LEI Nº 5.146/2010.

    Agora, o Projeto aprovado pela Câmara Municipal irá para o Prefeito EDUARDO PAES, que tem prazo para sancionar a Lei e devolvê-lo à Câmara, que aí publica e faz os trâmites. Temos que acompanhar direitinho, porque o Prefeito pode vetar, já que não é o usual que aconteça uma proposta educativa como esta. Imaginem...ESCOLAS, CRECHES, HOSPITAIS, CLUBES, ESCRITÓRIOS, RESTAURANTES, LOJAS, FÁBRICAS...  

Fonte: SVB-Rio

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Projeto Outdoor Animal

    Mais uma iniciativa proposta pelo Grupo Ula está no ar, e já está tomando conta das redes sociais!!!!
    Trata-se do Projeto Outdoor Animal. O grupo pretende, com essa iniciativa, arrecadar fundos para colocar o 1º Outdoor com o tema de Direitos Animais na Zona Oeste.
    Com a contribuição de R$ 10,00 cada pessoa poderá libertar um animal e ainda concorre a uma cesta cheinha de produtos veganos!! O que vc está esperando para participar e ainda ajudar na causa dos Direitos Animais???
   Estou copiando abaixo a íntegra da publicação que você encontrará no site do Grupo ULA!   


Faça parte dessa Campanha! Liberte um bicho - Faça a intervenção!

O ULA prentende colocar  o 1º Outdoor com tema de Direitos Animais na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e para isso precisamos da sua ajuda. Compre uma chave por apenas R$10, ajude a tornar essa ideia realidade e ainda concorra a uma cesta recheada de produtos veganos!

É fácil participar - em 3 passos!

1) Escolha um bicho para libertar
Os bichos estão atrás das grades! Compre uma chave para libertar um!



Escolha pelo código observando o outdoor, por exemplo: 1A=porco / 5E=leão  / 15B=pato
Os animais que forem sendo libertados ficarão coloridos, e o nome da pessoa aparecerá aqui junto com o código comprado.

Da esquerda para direita, estão presos: porcos, vacas, coelhos, galinhas, leões, pássaros, peixes, cavalos, cachorros, gatos, baleias, lagostas, elefantes, macacos e patos!

2) Faça o depósito:Deposite do valor referente à quantidade de chaves que você for comprar:

Banco Bradesco
Titular: Gracielle da Silva Queiroz
Agência: 2757
Conta Poupança: 1002960-0

3) Envie o formulário:


- fomulário
Iremos te enviar um e-mail de confirmação, com o cupom de participação para você participar do sorteio da cesta de produtos veganos!

Pronto! Você está nos ajudando a fazer uma grande intervenção urbana em prol dos direitos animais!

IMPORTANTE - LEIA COM ATENÇÃO:

- Você  pode comprar quantas chaves quiser, irá receber um cupon por cada chave e aumentará suas chaces de ganhar a cesta!

- Prentendemos colocar o outdoor em Dezembro de 2011 (para aproveitar o tema de Natal)- caso não conseguirmos arrecadar o valor total até lá, iremos adiar para o mês seguinte.

- A placa de Outdoor será veicula no bairro de Campo Grande - RJ ( o endereço será divulgado assim que fecharmos)

- A arte para o outdoor ainda será feita (pretendemos abordar as crueldades cometidas aos animais na época de Natal) Aceitamos sugestões!

- Em breve iremos divulgar os produtos da cesta.

- O código do bicho será sorteado no final da campanha ( no dia que o outdoor for pra rua) e cesta será enviada por correio.

- O valor total da arrecadação é de R$750, que cobre o custo de veiculação e produção do outdoor.

PARTICIPAÇÃO DE EMPRESAS , ONGS / GRUPOS.

- Empresas: Comprando a quantia mínima de 15 chaves (R$150), o logotipo da empresa entrará na arte do Outdoor como apoio. (apenas empesas que não tenham ligação com exploração animal).

- ONGS e grupos: Comprando a quantia mínima de 8 chaves (R$80), o logotipo entrará na arte do Outdoor como apoio.

A intençao não é fazer propaganda de empresas ou grupos, e sim mostrar que eles apoiam a ideia.

Entre em contato:
contato@uniaolibertariaanimal.com

Porque colocar um Outdoor em Campo Grande RJ?

A União Libertária Animal – Ula é um grupo abolicionista de Educação em Direitos Animais da Zona Oeste do Rio de Janeiro, com intervenções principalmente nos bairros de Campo Grande e Guaratiba.
Segundo informações divulgadas em julho deste ano, mas ainda não publicadas oficialmente pelo IBGE, o bairro de Campo Grande se tornou o mais populoso do Rio de Janeiro! A população desse bairro chega a ser maior que a da cidade de Vitória, do Espírito Santo.
Campo Grande é um bairro que fica a 45 km do centro da cidade, de classe média com porções de classe média alta. Possui, aproximadamente, 328.370 habitantes inseridos numa área territorial de 11.912,53 hectares, sendo o terceiro bairro mais extenso da cidade. Por ser um bairro de grandes extensões faz limite com outros dez bairros da zona oeste: Paciência, Cosmos e Inhoaíba a oeste; Guaratiba, Vargem Grande, Recreio e Jacarepaguá ao sul; Senador Vasconcelos, Senador Camará, Santíssimo e Bangu a leste e mais o município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ao norte.
Campo Grande concentrou o maior número de lançamentos residenciais. O bairro ocupou em 2010 o primeiro lugar em número de lançamentos residenciais no município do Rio de Janeiro - superando os bairros de Jacarepaguá, 2°, e Barra da Tijuca e hoje atrai grandes construtoras cariocas.
Desde 2008, o Ula promove manifestações educativas no Calçadão de Campo Grande, centro comercial da região, no qual recebe pessoas do próprio bairro e de localidades vizinhas, como Guaratiba. Essas ações sempre tiveram grande receptividade pelas pessoas, por serem atividades inéditas na área, com informações relevantes, práticas e reflexivas sobre Direitos Animais.
A Zona Oeste do Rio de Janeiro possui um número elevadíssimo de animais domésticos abandonados nas ruas, procriação e maus tratos. Além disso, a população da Zona Oeste ainda não costuma optar pela adoção de animais, sendo os animais resgatados na área, adotados por pessoas da zona sul e zona norte da cidade. Um funcionário da Secretaria Especial de Promoção e Defesa Animal (Sepda), disse em conversa informal, que inicialmente, foram realizadas feiras de adoção da Sepda na Zona Oeste, mas muitas vezes nenhum animal era adotado. Atualmente a secretaria realiza as feiras na zona sul e zona norte.
O bairro também não possui restaurantes vegetarianos, mas muitos aviários, açougues e churrascarias. O uso de carroças também é comum na região. Todo domingo ocorre uma feira de rua com vendas de aves e filhotes de cães. Dentre inúmeras outras atividades e hábitos que promovem a exploração animal.
Analisando essas potencialidades e problemas do bairro, o Ula percebeu uma grande importância em utilizar um veículo para difundir em larga escala uma mensagem de Direitos Animais na região. Lançamos então, o PROJETO OUTDOOR ANIMAL.  O ULA pretende colocar  o 1º Outdoor com tema de Direitos Animais na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e para isso precisamos da sua ajuda e união de todos que se importam com os animais. Você pode fazer parte desse projeto, e ser a chave para a sua realização. É fácil, prático e possível. E ainda concorrerá a uma cesta de produtos veganos! Grupos e Ongs de Direitos Animais também podem se tornar realizadores desse projeto, e se incluírem no Outdoor! Faça parte! Participe!
 

sábado, 11 de junho de 2011

Carta de uma vida quase inteira

   Todos que acompanham o blog sabem que eu AINDA não sou vegetariana, como expliquei em outros posts, achei melhor fazer essa transição com calma, mas já dei um grande passo, pois parei de comer a carne vermelha.
   Lendo o site do Projeto Repensar, achei esse texto muito interessante e resolvi compartilhar. Espero que curtam e consigam mudar seu modo de vida.
   Me chamo Thalita e estou há 9 meses e 13 dias sem comer carne vermelha.

Beijos!!!
 
 
Senhor,

assim que nasci, fui trazido para o quarto. Nasci antes da hora e meu corpo nem estava formado por completo. Também não conheci minha mãe, mas disseram que era uma senhora de bom coração. Não tive leite de mãe, não. Aliás, não tive paternidade de nenhum dos lados. Lembro que, quando era menor, uma moça me veio dar as vacinas. Foi o mais perto que tive de uma mãe, mas depois também não a vi mais. Ela vinha, acariciava minha cabeça, dizia que ia ficar tudo bem e ia embora.  Hoje, acho com quase certeza que sou órfão de pai e mãe. Ninguém abandona o filho assim, não, moço.
E que tristeza tem sido a minha vida desde o meu nascimento, convenhamos. Não sei se sabe, senhor, mas fiquei com pés e mãos amarrados durante toda a minha infância. As cordas me machucavam um pouco, mas resisti bem por um tempo. Depois, quando quis levantar e esticar meu corpo pra ver o que tinha de lá da janela, quebraram minhas duas pernas. Não tive direito a medicamento nenhum, atadura nenhuma. Sofri com dor e com choro sendo engolido por muito tempo. Meus ossos são cicatrizados tortos e não consigo andar mais. Às vezes, vejo algumas crianças correndo, brincado, fazendo arte. Sou louco pra correr por esse lugar bonito, mas tento me levantar e a deficiência me impede.
Só não reclamo da fome. Fome eu não passo, não se preocupe. O enfermeiro sempre traz algumas coisas durante o dia. Assim como a outra senhora que vinha me visitar, ele abre meu quarto, me dá um carinho gostoso na cabeça, coloca meu prato no chão – o quarto é vazio de tudo; nem travesseiro tem -, me espera comer e leva de volta. Às vezes, não mata a fome, confesso. Mas vai que um dia eu reclamo e nunca mais me trazem nada?!
Eu não entendo o porque disso. Não que eu tenha tentado saber algum dia, mas ninguém me diz o motivo desse sofrimento todo. Tenho medo, senhor. Quando um dos meninos abriu a boca pra falar algo, abriram o quarto dele, o arrastaram para o pátio e o mataram lá mesmo, na frente de todos nós. Depois, levaram o corpo dele pra longe, pra enterrar. Eu tento dizer as coisas claramente, mas ninguém ouve. Todos preferiram fechar seus ouvidos aos meus gritos e choros. Por isso, calei-me de vez.
Estou, enfim, do lado de fora do quarto. Como aqui fora é bonito, meu Deus do Céu. Um contraste de verde-pasto com vermelho-vinho. Que cores lindas. O Sol, quando bate na grama, é uma beleza. Só o que atrapalha são os gritos. Ai, os gritos. Acho que são meus irmãos lá na frente. Consegue vê-los? Não quero ir sem me despedir deles. Nessas horas, as famílias deveriam ser mantidas juntas. Ao menos pra trocar um papo, saber como foi a vida dos primos, pais, avós. O problema é que nem andar eu consigo; e mesmo se conseguisse, nós estamos sendo puxados por cordas amarradas nos braços. Não tem como fugir.
Mas eu estou feliz num único momento de minha vida. Sentir felicidade é bom. Confesso que preferia ter saído mais vezes, passeado, viajado. Obrigado por, pelo menos, essa. É bom ter saído do quarto, visto o verde. E, senhor, eu te perdoo por ter me trancado. Sei que a culpa não é só sua. Mas, por favor, não se despeça de mim. Sabe que logo meus órgãos estarão no seu prato, suculentos; e meus ossos serão roídos por seus filhos. Acho que dá pra matar saudade assim. Por favor, não se despeça de mim. Não gosto de despedidas. 

por Henrique Resende