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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sobrou para os gatos

   Vi esse post muito interessante, ainda sobre a questão da novela, gatos e toxoplasmose.
   Conteúdo original no blog de Cora Rónai. Clique aqui!!!

   Bjos!!!!


Sobrou para os gatos



   Costumo escrever a crônica entre segunda e terça. Na semana passada, às oito da noite da terça, eu ainda não havia conseguido uma única linha. Tinha começado e recomeçado, experimentado um assunto e outro, mas faltava liga a tudo. Grande problema! O Segundo Caderno de quinta-feira é fechado relativamente cedo na quarta. Como sou um animal noturno, ter essa manhã à disposição significa apenas que posso entrar pela madrugada à vontade, vale dizer uma terça espichada.

   Andei pela casa, brinquei um pouco com o Toró (que, como todo filhote, está sempre disposto a correr atrás de umas bolinhas de papel) e me deitei no chão da sala, olhando para o teto – lugar de onde, curiosamente, sempre vem alguma inspiração.

  
Dessa vez, nada.

   Fui à geladeira, pesquei um cachinho de uva, voltei para o escritório e, em absoluto desespero de causa, resolvi, pura e simplesmente, descrever o espaço onde me encontrava emocionalmente: o fundo do poço.

  A crônica foi escrita de forma singela, mais ou menos como, na escola, escrevíamos as redações com tema dado pela professora, como “Minhas férias” ou “Um dia de sol”. Eu nunca poderia imaginar a sua repercussão, muito menos a quantidade de emails cheios de preocupação e carinho que recebi de leitores que, embora não conheça, são meus amigos.

  Agradeço a todos de coração. Tenho esperança de, um dia, conseguir responder a cada um, pessoalmente -- mas confesso, desde já, que há um certo otimismo nessa esperança. Assim peço que, por favor, não imaginem que não dei valor às suas palavras se por acaso não receberem resposta; saibam que, ao contrário, elas foram da maior importância, e me deram alento num momento muito difícil da vida.

* * *

   Entre tantos emails e mensagens no Twitter, no Facebook e no blog (só lá foram 170 comentários), fiquei espantada ao descobrir como tenho vizinhos e colegas de profundeza. Como constatou a Monca, quando os comentários do blog andavam mais ou menos pela metade:

  “Mon Dieu! Olhando daqui, o fundo do poço parece um continente superpovoado.”

  Também fiquei com essa impressão; e, no fim da semana, depois de ler tantos emails aflitos e confessionais, acabei mesmo com a certeza de que ir ao fundo do poço é muito mais freqüente do que se imagina. Se não percebemos isso no dia a dia é que quem está no fundo do poço aprende a disfarçar.

    A tristeza, ao contrário da depressão, é uma emoção relativamente simples de explicar e de entender. É o avesso da alegria, e em geral suas causas são compreensíveis por todos, por triviais que sejam. Tristeza se cura com uma noite bem dormida, com um ombro amigo, com meia dúzia de chopes, com uma ida ao shopping.

  O fundo do poço, porém, é mais complicado. Quem está lá (aqui) embaixo enfrenta alguns preconceitos, a começar por uma auto cobrança cruel, em que a gente se culpa de não estar “reagindo”, como tanto recomendam os amigos.

  É preciso parar tudo para por os pingos nos ii: alguém pode “reagir” contra uma perna quebrada? Não, claro que não. Pode-se tratar da perna quebrada – mas é mais fácil cuidar de uma perna quebrada que está bem à vista de todos do que da descida ao fundo de um poço que ninguém vê.

* * *

   Do outro lado da caixa postal, aquele que não foi ao fundo do poço, as coisas também não andam nada boas. Acompanho a luta constante dos protetores e das ONGs de defesa animal para educar a população nas suas relações com os bichos. É uma dura batalha contra a maldade, o preconceito e a idéia de que bichos são objetos que podem ser abandonados de qualquer jeito, em qualquer lugar.


   Pois na segunda, essa luta tão digna sofreu um grave revés. Numa cena da novela “Insensato coração”, a personagem da Camila Pitanga vê um gatinho lindo em cima do capô do carro e pede à amiga que o pegue, porque ela está grávida:

-- Eu não posso pegar não, pega para mim, Claudinha?

-- Você não adora gato?

-- Eu adoro, mas não posso. Não posso nem chegar perto. A Sônia disse, eu corro risco de pegar toxoplasmose, é perigoso.


   A cena está no You Tube, onde a vi, na terça, depois de receber uma enxurrada de emails indignados – e com toda a razão. Se pegar em gatos durante a gravidez fosse perigoso, todas as veterinárias grávidas estariam correndo risco. Felizmente, elas são bem informadas e sabem que só se pega toxoplasmose dos gatos ingerindo as suas fezes; e, para tornar o processo ainda mais complicado, desde que eles, gatos, estejam contaminados com a doença.


   O diabo é que uma cena desinformada dessas, em pleno horário nobre, joga por terra anos de trabalho educativo. Não gosto nem de pensar na quantidade de gatos que serão abandonados – ou deixarão de ser adotados -- porque alguém ouviu na novela que as grávidas não podem sequer se aproximar deles!


   Só para esclarecer: no Brasil, a principal causa de toxoplasmose é a ingestão de hortaliças mal lavadas e de carne crua ou mal passada. Às grávidas recomenda-se -- como, aliás, a todo mundo – lavar bem as mãos depois de limpar a caixa de areia dos gatos. E isso por noções básicas de higiene, e não por medo de toxoplasmose, que não dá em gato doméstico que come ração.

    Para quem quiser maiores informações sobre a conexão entre gatos e toxoplasmose: http://bit.ly/eNUFcD. Este link leva, entre outros posts, a uma crônica que publiquei aqui mesmo em setembro de 2003. 

    Faz tempo que a gente bate nessa tecla.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Post Inaugural!!

Olá a todos!!!!

Me chamo Thalita e decidi criar esse blog para manter os meus leitores informados acerca dos Direitos dos animais.

Sou advogada, porém não milito nessa área, mas tenho muita afinidade com a causa animal e defendo-os até o meu limite.

O blog será um grande informativo, onde eu pretendo colocar novidades do mundo animal, matérias interessantes, artigos importantes e também as ações e eventos em favor dos animais.

Bom, minha maior inspiração para criar esse blog foram os meus 3 filhos, Miah, Misha e Ramsés.
Meus gatinhos me fazem muito feliz, além disso, sempre tive muita afinidade com os animais, mas foi a partir da vinda da minha primeira gatinha para a minha vida que eu acordei para a causa animal, a divulgação de Posse Responsável e outros temas.

Espero que o blog seja um grande ponto de encontro com muita troca de informações.
Todos os comentários são bem-vindos e as sugestões de temas me deixarão muito feliz!

Acredito que com a ajuda de cada um eu vou aprender muito, e o conhecimento será retransmitido por aqui.

Fiquem à vontade, a casa é de vocês!!

Para iniciar, eu vou colocar esse texto que eu já conhecia, mas sempre que leio fico pensativa. 
Comentem sobre o que acharam!

Bjos!!!  


O GATO FEIO

   Todos no prédio de apartamentos onde eu morava sabiam quem era o Feio. Feio era o gato vira-lata do bairro.
   Feio adorava três coisas neste mundo: brigas, comer lixo e digamos, amor. A combinação destas três coisas, adicionada a uma vida nas ruas, tinham causado danos em Feio.
   Pra começar, ele só tinha um olho, e no lugar onde deveria estar o outro olho, havia um buraco fundo. Ele também havia perdido a orelha do mesmo lado, e seu pé esquerdo parecia ter sido quebrado gravemente no passado, e o osso curara num ângulo estranho, fazendo com que ele sempre parecesse estar virando a esquina. Feio havia perdido a cauda há muito tempo, e restava apenas um toco de cauda grosso, que ele sempre girava e torcia.
   Todos que viam Feio tinham a mesma reação: "Mas que gato feio!"
   As crianças eram alertadas para não tocarem nele. Os adultos atiravam pedras nele, jogavam-lhe água com a mangueira para espantá-lo, o enxotavam quando ele tentava entrar em suas casas, ou imprensavam suas patas na porta quando ele insistia em entrar.
   Feio sempre tinha a mesma reação.
   Se você jogasse água nele com a mangueira, ele não saía do lugar, ficava ali sendo ensopado até que você desistisse. Se você atirasse coisas nele, ele enroscava seu corpinho magricela aos seus pés, pedindo perdão.
   Sempre que via crianças, ele surgia correndo, miando desesperadamente e esfregando a cabeça em todas as mãos, implorando por amor. Quando eu o apanhava no colo, ele imediatamente começava a sugar minha blusa, orelhas, ou o que encontrasse pela frente.
   Um dia, Feio quis dividir seu amor com os huskies do vizinho. Eles não eram amistosos e Feio foi ferido gravemente. Do meu apartamento, eu ouvi seus gritos e corri para tentar ajudá-lo.
   Na hora em que cheguei onde ele estava caído, parecia que a triste vida de Feio estava se esvaindo...
   Feio estava caído em uma poça, suas pernas traseiras e suas costas estavam totalmente disformes, um corte fundo na listra branca de pêlo atravessava seu peito. Quando eu o apanhei e tentei levá-lo para casa, ele fungava e engasgava, podia senti-lo lutando para respirar.
   "Acho que o estou machucando muito", eu pensei. Então, eu senti a sensação familiar de Feio chupando minha orelha - em meio a tamanha dor, sofrendo e obviamente morrendo, Feio estava tentando sugar minha orelha.
   Eu o puxei para perto de mim e ele esfregou a cabeça na palma da minha mão, olhou-me com seu único olho dourado e começou a ronronar.
   Mesmo sentindo tanta dor, aquele gatinho feio, cheio de cicatrizes de suas batalhas, estava pedindo um pouco de carinho, talvez alguma comiseração. Naquele instante, achava que Feio era o gato mais lindo e adorável que eu já tinha visto. Em nenhum momento, ele tentou me arranhar ou morder, nem mesmo tentou fugir de mim, ou rebelou-se de alguma maneira. Feio apenas olhava para mim, confiando completamente que eu aliviaria sua dor.
   Feio morreu em meus braços antes que eu entrasse em meu apartamento.
   Eu me sentei e fiquei abraçada com ele por muito tempo, pensando sobre como este gato vira-lata deformado e coberto de cicatrizes havia mudado minha opinião sobre o que significava a genuína pureza de espírito e sobre como amar incondicionalmente. Feio me ensinara mais sobre doação e compaixão do que qualquer ser humano.
   E eu sempre lhe serei grata por isto.
   Chegara a hora de eu seguir em frente e aprender a amar verdadeira e incondicionalmente. Chegara a hora de dar meu amor para aqueles que me eram caros, mesmo que meus olhos nunca tivessem visto nenhum deles...
   As pessoas acham mais fácil e mais prazeroso amar o belo, o perfeito, sem notarem que os feios, os tortos, os mancos, enfim os deformados sejam de corpos, mentes ou almas, também podem e merecem serem amados...
   Se vocês pudessem avaliar ou sentir como é quente e gostoso o abraço de alguém feio e antipático, de alguém deformado e que foge as regras e padrões de beleza...se vocês se permitissem essa sensação, talvez entenderiam e veriam os tantos "gatos feios" que a vida lhes coloca diante dos seus olhos todos os dias e vocês se negam a enxergá-los...
   Muitas pessoas querem ser influentes, querem acumular dinheiro, querem ser bem sucedidas, queridas, simpáticas ou belas... Quanto à mim, eu sempre tentarei ser como o Feio...
   Passarei minha vida pedindo amor, mendigando um pouco do seu tempo, esperando pelo seu carinho, contando com sua compreensão, e pacientemente aguardando o dia de ser devorada pelos "Huskies"...
   Se tiver sorte terei alguém que me pegue no colo e me faça um carinho antes do meu último suspiro...
   Neste mundo cheio de intolerâncias devemos espalhar mais respeito aos demais seres viventes, sejam eles da mesma raça, mesma religião, mesma etnia que nós , ou não, sejam feios ou bonitos aos nossos olhos tão desacostumados a ver, ou nossos ouvidos, que ainda não aprenderam a ouvir a real mensagem de Deus.

Autoria Desconhecida

Fonte: Tribuna Animal